Menos é mais: o que os dados nos mostram sobre atrair e selecionar no mundo de hoje?

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Uma análise recente da Ashby trouxe um dado que chamou atenção: o número de contratações por recrutador caiu em 36% desde 2021. Mas calma, esse número não conta toda a história. Se por um lado parece que a produtividade caiu, por outro, o cenário revela algo mais profundo: uma transformação no próprio comportamento das pessoas candidatas e, claro, nas exigências do mercado. Vamos traduzir o que está por trás desses números e como isso impacta (de verdade) a estratégia de contratação das empresas.

A equação mudou: mais candidaturas, mais esforço

Com base em mais de 14 milhões de candidaturas e 80 mil vagas analisadas, a Ashby observou um salto de 178% no número de pessoas se candidatando por vaga entre 2021 e 2023. O reflexo? Os recrutadores estão investindo mais tempo na triagem, e menos na busca ativa. O desafio não é mais atrair pessoas candidatas, mas sim identificar quem realmente tem fit com a vaga.

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Tempo de entrevista aumentou. Eficiência caiu?

Se antes as entrevistas eram enxutas, hoje elas duram de 5 a 10 horas a mais por contratação.

Por quê?

Simples: mais candidaturas nem sempre significam melhores perfis. Muitas vezes, são apenas cliques impulsivos em anúncios pouco específicos. Esse volume pode gerar um efeito cascata: anúncios genéricos atraem pessoas candidatas desalinhadas, que geram mais entrevistas e, no fim, menos contratações de qualidade.

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Resultado? Mais esforço, menos resultado. E tem mais um dado que reforça esse ponto: mesmo com mais entrevistas, a taxa de conversão para contratação e a aceitação das ofertas caíram. Pra funções técnicas, chegou a 7%. Pra funções de negócios, 9%.

Menos contratações, mais critério

Apesar da queda no número de contratações por recrutador, vemos uma intensificação do olhar na etapa de avaliação. Ou seja, as empresas estão crescendo com mais cautela e priorizando a qualidade acima da velocidade.

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Essa concentração de esforços no início do funil mostra que o processo ficou mais criterioso. E isso não é, necessariamente, ruim. O ponto de atenção é não perder eficiência no caminho. Tempo demais com quem não tem fit, além de custoso, desgasta quem está recrutando e quem está participando.

Experiência do talento: um ponto de equilíbrio

Mesmo com todas essas mudanças, a experiência das pessoas candidatas tem se mantido estável. A forma como as entrevistas são conduzidas continua respeitosa, estruturada e eficiente. O tempo até a contratação também não variou tanto.

É um alívio, né? No meio de tantas variáveis, a experiência segue firme, e precisa continuar assim.

Menos é mais: o novo olhar sobre performance em recrutamento

O tempo médio pra preencher uma vaga começou a cair recentemente: de 104 para 76 dias em cargos técnicos e de 82 para 65 dias em funções de negócios. Ainda não dá pra cravar uma tendência, mas já é um movimento interessante.

Entre os principais aprendizados desse cenário, destacamos:

  • Cada recrutador está contratando menos pessoas
  • O volume de candidaturas aumentou muito
  • O tempo de entrevista também
  • A experiência das pessoas candidatas segue consistente

Mas fica a pergunta: será que estamos conseguindo medir o sucesso do recrutamento pelas métricas certas?

Muitos ainda associam desempenho à quantidade de currículos recebidos. Mas volume não é sinônimo de qualidade. Aliás, pode até atrapalhar. Quanto mais claras forem as expectativas na descrição da vaga, mais eficaz será o filtro natural. E isso começa na forma como escrevemos, comunicamos e posicionamos cada oportunidade.

E se repensássemos os critérios?

Se estou entrevistando mais pessoas, inevitavelmente estou também dizendo mais “nãos”. Isso exige tato, atenção e tempo.

Será que estamos deixando claro o que buscamos?

Será que a triagem excessiva é reflexo de critérios pouco definidos desde o início?

Essas perguntas são mais do que retóricas, são convites à reflexão. No fim das contas, a qualidade do processo seletivo tem muito a ver com a clareza de quem está contratando.

Em tempos de transformação, foco é tudo

A análise da Ashby não só mostra o presente do recrutamento, ela mostra o que precisa mudar para os próximos anos. Mais do que adaptar processos, é hora de repensar premissas.

Talvez, o sucesso não seja atrair mais gente, mas sim atrair as pessoas certas. E isso também começa na vaga.

Enquanto o mercado muda, o que permanece essencial é o olhar humano.

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Feito com por: Agência Tucano.